Biblioteca do Senado vai digitalizar três milhões de recortes de jornais

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2010

Biblioteca do Senado vai digitalizar três milhões de recortes de jornais

Portal de Notícias do Senado Federal - 12/08/2010

Um acervo de três milhões de recortes de jornais sobre os mais variados assuntos - aproximadamente cinco mil temas -, coletados pela Biblioteca do Senado desde 1974, sairá das estantes deslizantes, climatizadas e com sistema de segurança, onde estão armazenados, para entrar no espaço virtual da internet, por meio da digitalização. Com isso, uma enorme gama de informações estará à disposição de toda a população brasileira e também de interessados em todo o mundo.

O processo de digitalização será realizado pela Secretaria Especial de Editoração e Publicações (Gráfica do Senado) que, com esse trabalho, inicia uma nova modalidade de prestação de serviço.

A conclusão da primeira etapa está prevista para o final deste ano. São cerca de 160 mil recortes de jornais sobre eleição, partido político e legislação eleitoral. Quando o trabalho de digitalização estiver concluído, os interessados poderão ter acesso ao texto completo da notícia, com a recuperação podendo ser feita por autor, título, nome do jornal, data e assuntos, no site da Biblioteca Digital do Senado, pelo endereço http://www2.senado.gov.br/bdsf.

É um projeto importante para a memória brasileira, possibilitando o acesso ao nosso patrimônio histórico sobre ciências políticas e sociais em língua portuguesa. Vai representar uma mudança absoluta na democratização do acesso à informação - afirma a diretora da biblioteca, Simone Bastos Viera.

Recortes de jornais da Biblioteca do Senado serão digitalizados Biblioteca do Senado.


Morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago

Morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago

A notícia da morte de José Saramago repercutiu imediatamente em todo o mundo, inclusive entre representantes da Igreja Católica em Portugal, com quem o escritor mantinha uma relação conturbada por abordar de forma polêmica temas religiosos em obras como "O evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, e "Caim", seu romance mais recente, de 2009.

Autodescrito como um "comunista libertário", ele também provocou polêmica ao chamar a Bíblia de "manual de maus costumes". Ao longo de seis décadas de carreira literária, publicou cerca de 30 obras, entre romances, poesia, ensaios, memórias e teatro.

Expoente da literatura mundial Saramago era um dos maiores nomes da literatura contemporânea, vencedor do prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998 e de um prêmio Camões - a mais importante condecoração da língua portuguesa.

Saramago era considerado como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Em 1997, escreveu a introdução para o livro de fotos "Terra", em que o fotógrafo Sebastião Salgado retratava a rotina do movimento dos sem-terra no Brasil.

"Ensaio sobre a cegueira", que conta a história de uma epidemia branca que cega as pessoas, metáfora da cegueira social, foi levado às telas em 2008, uma produção hollywoodiana filmada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus").

Em 2008, uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil."José Saramago: a consistência dos sonhos" trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos em um formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.

Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago


Lei 12244, de 24 de maio de 2010

Lei 12244, de 24 de maio de 2010

País precisa construir 25 bibliotecas por dia para cumprir nova lei

Municípios e estados terão muito trabalho para cumprir a lei sancionada na semana passada que determina que toda a escola deve ter uma biblioteca. O maior desafio está nos estabelecimentos do ensino fundamental: será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020, prazo limite para adequação à medida.

O diagnóstico é de um estudo realizado pelo movimento Todos pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica de 2008. "Essa dificuldade é decorrente da falta de visão do Brasil sobre a importância da biblioteca. No mundo todo as bibliotecas são doadas por mantenedores que têm uma alegria imensa de poder doar um acervo", compara Luis Norberto, do Comitê Gestor do Todos pela Educação.

O déficit de bibliotecas no ensino fundamental é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados de ensino. Na educação infantil, apenas 30% dos colégios têm acervo e será necessário criar 21 bibliotecas por dia para cumprir o que determina a nova lei. A melhor situação é a do ensino médio, etapa em que o número de escolas sem biblioteca é de 3.471.

Norberto defende que, além da ação dos gestores, será necessário o envolvimento de toda a sociedade no desafio. "A lei é uma direção, mas ela não faz nada. Nós, sociedade, é que devemos fazê-la funcionar. A tarefa não é só dos gestores, imagine se cada empresário doasse um acervo para uma escola, em dois anos o problema estava resolvido", diz.

Na comparação entre as redes de ensino, a situação é pior nos colégios municipais, que contam com menos bibliotecas do que as escolas estaduais. O estudo do Todos pela Educação chama a atenção para outro fator que pode dificultar o cumprimento da lei: faltarão profissionais qualificados para trabalhar nesses espaços.

A legislação estabelece que as bibliotecas devem ser administradas por especialistas da área - os bibliotecários. Mas, segundo levantamento da entidade, hoje há um total de 21,6 mil profissionais habilitados, enquanto o país conta com aproximadamente 200 mil escolas de educação básica.

Para Norberto, com a entrada obrigatória das crianças na educação infantil aos 4 anos, estabelecida por lei no ano passado, e a implantação das bibliotecas, os alunos vão aprender a ler mais cedo. "É uma mudança radical e positiva. Daqui a dez anos, as crianças vão estar alfabetizadas aos 8 anos, é um futuro muito melhor", afirma.

Fonte: Folha.com/ 09 de junho de 2010.


O Bibliófilo José Mindlin

O BIBLIÓFILO JOSÉ MINDLIN

IN MEMORIAM JOSÉ MINDLIN - 8 de Setembro 1914/ 28 Fevereiro 2010

"José Mindlin foi um gigante da cultura brasileira. Como todo grande homem, deixa um grande legado, que é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, o resultado de uma vida dedicada aos livros, que por sua generosidade hoje é um patrimônio de todos os brasileiros." Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo.

"Mindlin era um emblema do livro, tinha com ele uma relação orgânica. Lembro com saudade o dia em que estivemos juntos, com Evanildo Bechara, na inauguração do Museu da Língua, em São Paulo, e eu lhe fiz o convite para ingressar na Academia. Vamos sentir muito a sua falta." Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras

José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formou-se em Direito em 1936, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Advogou até 1950, quando foi um dos fundadores e presidente da empresa Metal Leve S/A, empresa pioneira em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprio no seu campo de atuação. Em sua atividade empresarial desenvolveu grande esforço em prol do avanço tecnológico brasileiro e no processo de exportação de produtos manufaturados brasileiros.

Mindlin foi dono de uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, que começou a formar aos 13 anos e, em 2006, doou cerca de 45 mil volumes, entre coleções e folhetos, para a Brasiliana USP, no campus da universidade, em São Paulo. [via Folha de São Paulo]"

José Mindlin nunca se considerou proprietário dos livros que tem. Para ele, uma biblioteca é sinônimo de preservação de cultura, que não tem dono. Aliás, o bibliófilo acaba de assinar um acordo com a Universidade de São Paulo, doando a parte mais extensa de seu acervo, batizada por ele de "Brasiliana", que reúne apenas livros sobre o Brasil. O contrato prevê a construção de uma biblioteca de 10 mil metros quadrados para abrigar o tesouro em pleno campus. Assim, estudantes e pesquisadores terão acesso a preciosidades como a História Geral do Brazil, de Varnhagen, publicada em 1876, ou as Viagens de Hans Staden, de 1557. Mesmo diante de tal gesto, Mindlin faz questão de salientar que a biblioteca nunca pertenceu só a ele, mas também a Guita, sua mulher, que é restauradora de livros.

A passagem de leitor para bibliófilo se deu quase imperceptivelmente, mas logo se transformou num caminho sem volta. Ele explica que o ponto inicial desse processo pode ser um escritor de quem se gosta: "O desejo de ter todos os livros deste autor já é o começo de uma coleção", argumenta. "Aos poucos, vai surgindo o interesse pelas primeiras edições, as encadernações, as tipologias, ou seja, a atração do livro como objeto. Chega-se então à busca de raridades. Nesse ponto, o leitor já está irremediavel mente perdido. Foi o que aconteceu comigo. Dei-me conta de que era uma doença incurável, mas, ao contrário das outras, só me fazia bem. Por isso, nunca me preocupei."


COM CARA DE LIVRARIA, BIBLIOTECA É INAUGURADA ONDE FUNCIONAVA O CARANDIRU

COM CARA DE LIVRARIA, BIBLIOTECA É INAUGURADA ONDE FUNCIONAVA O CARANDIRU

No local onde funcionava a Casa de Detenção do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, será inaugurada nesta segunda-feira (8) a Biblioteca de São Paulo. A abertura ao público será na terça.

Com pufes coloridos e poltronas confortáveis, o novo espaço cultural, que ocupa um pavilhão de 4.257 m2, foge do estereótipo da biblioteca pública com ar austero e lembra mais uma livraria moderna de grande rede.

A inauguração marca a etapa final da mudança do lugar que chegou a ser o maior presídio da América Latina, com cerca de 8.000 presos e foco de constantes rebeliões e fugas. A transformação começou em 2002, quando os primeiros pavilhões com as celas foram implodidos e deram origem, anos depois, ao Parque da Juventude. Dos sete pavilhões originais, somente dois foram mantidos e, depois de reformados, passaram a abrigar uma escola técnica.

"É com muita alegria que vamos ocupar esse lugar de tão triste memória”, afirma o secretário estadual de Cultura, João Sayad.

A biblioteca foi pensada com o objetivo de incentivar a leitura e será um centro de treinamento para todas as bibliotecas municipais que existem no estado de São Paulo.

"O frequentador vai encontrar os livros expostos pela capa, sem pretensão didática ou de erudição. Vão estar ali os livros mais procurados e os lançamentos recentes. O local pretende ser uma biblioteca que chama o público para ler. Vai ter Playboy, Claudia, Capricho e Caras", enumera Sayad. O prédio da biblioteca foi erguido inicialmente com a proposta de abrigar eventos e exposições, mas ficou fechado por alguns anos, sem nunca ter sido usado. Por causa das dimensões e do fácil acesso -fica em frente à estação do metrô Carandiru- foi escolhido para a biblioteca.

Da construção original, que, com suas paredes de vidro, privilegia a integração com o verde do parque, pouco precisou ser mudado. "As intervenções incluíram colocação de revestimento e isolamento acústico, mas a estrutura não foi mexida", afirma a idealizadora e gestora do projeto, Adriana Ferrari, assessora de gabinete da secretaria.

O investimento de implantação foi de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). O custeio será de R$ 4 milhões. Uma verba adicional de R$ 1 milhão deve ser destinada todo ano para a atualização do acervo.

Com cerca de 30 mil itens, que incluem livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, a biblioteca dispõe de equipamentos de última geração, como um terminal de auto-atendimento, que permite ao usuário cadastrado liberar o empréstimo sozinho. Também há a preocupação com acessibilidade: o local tem de elevador e impressora em braile a software que faz a leitura em voz alta. O acesso à internet será de graça e computadores estão espalhados por todos os lados.

"A ideia é usar esses recursos concorrentes do livro, como a internet, a música e o DVD, para atrair o interesse pela leitura", diz Adriana. De "Dom Casmurro" ao "Diário de Bridget Jones", o acervo promete agradar a todos os gostos e ter um pouco de tudo. A biblioteca é dividida por faixa etária. Cabanas coloridas, com cadeiras e pufes, são o centro da atenção do pavimento térreo, destinado às crianças e aos adolescentes. Dependurados dos tetos, aviõezinhos de papel em tamanho gigante compõem a decoração.

Nesse andar também há um auditório para palestras e eventos e uma área externa coberta, com café e espaço para apresentações artísticas.

O primeiro andar é destinado ao público adulto. Com mesas de leitura, computadores e poltronas, o ambiente é aconchegante. O acervo com livros e DVDs de conteúdo adulto ficarão numa área restrita, com acesso permitido para maiores de 18 anos.

A expectativa é receber cerca de 700 pessoas diariamente. "Estamos muito animados e acreditamos que a biblioteca será muito bem recebida pela população", diz a diretora da biblioteca, Magda Maciel Montenegro. Ela é integrante da Poiesis, organização social que administra também o Museu da Língua Portuguesa e a Casa das Rosas.

O local ficará aberto de terça a sexta das 9h as 21h, e, nos finais de semana e feriados, até as 19h. "Se houver demanda, também podemos pensar em abrir às segundas", diz Magda.

Biblioteca de São Paulo
Endereço: Parque da Juventude. Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, Prédio 3
- Fica ao lado da estação de metrô Carandiru (Linha Azul)
- Há estacionamento pago para carros
Horários de funcionamento: Terça a sexta, das 9h às 21h. Sábado, domingo e feriado, das 9h às 19h
Entrada: gratuita

(Globo on-line 08/02/2010)




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